Home Destaque Procuradores de países do Mercosul apoiam colega venezuelana, que poderá ser julgada

Procuradores de países do Mercosul apoiam colega venezuelana, que poderá ser julgada

6 primeira leitura
0

Procuradores dos países do Mercosul rejeitaram nessa sexta-feira (30) as ameaças da situação venezuelana de destituir a procuradora-geral, Luisa Ortega, que deverá comparecer ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) na terça-feira, em uma audiência que decidirá se ela será submetida a julgamento.

Os procuradores do bloco “rejeitam qualquer pretensão de remoção” da procuradora venezuelana “por fora dos canais legais e constitucionais”, disse o comunicado divulgado pelo Ministério Público da Venezuela.

O pedido do deputado chavista Pedro Carreño, o TJS, acusado de servir ao governo, aceitou na quarta-feira avaliar a possibilidade de denunciar a procuradora, proibida de sair do país e com bens e contas bancárias congelados.

Carreño argumenta que a procuradora “mentiu” ao dizer que não havia aprovado a seleção de 33 magistrados, que segundo ela foram designados irregularmente pelo anterior Parlamento de maioria chavista, em dezembro de 2015. Ortega pediu a impugnação dos juizes por considerar que sua parcialidade acelerou a severa crise no país.

Chavista declarada, Ortega tem sido intitulada traidora por alguns setores do chavismo por ter se posionado contra a Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro e cuja eleição está prevista para o final de julho.

Nesta sexta, denunciou o general Gustavo González López, diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN), por supostas violações dos direitos humanos. Na véspera, a procuradoria denunciou pelos mesmos crimes o general Antonio Benavides Torres, que até 20 de junho passado foi comandante da Guarda Nacional, por supostos abusos durante protestos contra Maduro.

Ortega denunciou no início do mês que familiares seus têm sofrido ameaças e perseguição, e responsabilizou o Estado pelo o que pode ocorrer com eles. “É um tema que têm que resolver comigo”, disse.

A destituição da procuradora só pode ser decidida pela Assembleia Nacional, atualmente controlada pela oposição.

Respeito à autonomia

No documento, os procuradores consideraram “fundamental que se respeite a autonomia e independência do Ministério Público venezuelano no legítimo exercício de suas funções” e pediram respeito a “seu direito à defesa”.

Além disso, “rejeitam qualquer ato de assédio, perseguição e ameaça que possar colocar em risco a integridade pessoal da procuradora e de seus familiares, assim como dos funcionários que integram o Ministério Público venezuelano”.

A resolução em apoio a Ortega foi emitida nesta sexta-feira em uma reunião em Buenos Aires de Ministérios Públicos de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai -que fazem parte do bloco- e que contou com a participação dos procuradores-gerais de Chile e Peru, países associados.

‘Golpe de Estado’

Nesta sexta, o vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, acusou Ortega de dirigir um golpe de Estado contra o governo. “O Ministério Público e a senhora Ortega Díaz dirigem ou fazem parte de um golpe de Estado e assim o denunciamos perante o mundo inteiro e saímos em defesa da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB)”, disse El Aissami em uma entrevista por telefone à emissora estatal “VTV”.

Aissami assinalou a funcionária como “responsável da espiral terrorista que se cometeu nestes meses” no país e de encabeçar “uma parcialidade como nunca antes tínhamos visto dentro de uma instituição pública”.

“A procuradora atua como uma militante do partido de oposição chamado MUD (a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática), fez o Ministério Público se converter em uma espécie de partido de oposição, com a sua inação, com o seu silêncio cúmplice”, destacou.

Fonte: G1

Carregar Mais Artigos Relacionados
Carregar mais por Destaque

Veja Também

Simaria fala sobre novo afastamento dos palcos

A cantora Simaria, que faz dupla com Simone, esclareceu nas redes sociais sobre seu novo p…