Foto: Roda Viva/Reprodução

Empresário é dono do grupo Vicunha Têxtil e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e assinou ficha de filiação três dias antes do fim do prazo

 

 

O empresário Benjamin Steinbruch, dono do grupo Vicunha Têxtil e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), se filiou ao PP. A filiação é parte de uma articulação para fazer do empresário uma opção de candidato a vice-presidente na chapa do ex-governador cearense Ciro Gomes (PDT), de acordo com quatro fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, sendo duas do PP, uma do PDT e outra do DEM.

Steinbruch assinou a ficha no PP da capital paulista em 4 de abril, três dias antes do fim do prazo de filiação para quem quisesse disputar as eleições. Até então, o empresário não estava ligado a nenhuma legenda. A filiação foi articulada pelo presidenciável do PDT, de quem Steinbruch é amigo há mais de 20 anos, e pelo presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI). “Eu ficaria muito honrado, mas não fui convidado”, afirmou Steinbruch ao jornal O Estado de S. Paulo.

A avaliação no PDT é de que o empresário, de 64 anos, se encaixa no perfil que Ciro procura para vice. Em entrevista ao Estado, o presidenciável disse que procura um vice “da produção, ligado ao Sudeste”. “Steinbruch tem de candidato o que a gente quer como vice. Se o PP quiser, será uma segunda etapa de negociações”, afirmou o presidente do PDT, Carlos Luppi.

Outro nome cogitado é do empresário mineiro Josué Gomes da Silva da Coteminas. Filho do ex-vice-presidente José Alencar, ele é filiado ao PR, sigla cuja prioridade é se aliar ao PT na disputa presidencial.

“Ele (Steinbruch) é nosso amigo, estamos com ele praticamente toda semana”, disse o ex-ministro Cid Gomes (PDT), um dos coordenadores da campanha do irmão. Cid afirmou que a questão da Vice-Presidência não está fechada, mas declarou que Steinbruch seria um “excelente” nome para a chapa. “Cada coisa ao seu tempo.”

Relação

Vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e primeiro presidente do Conselho de Administração da Vale após a privatização da empresa, em 1997, Steinbruch tem relação antiga com Ciro. Na campanha presidencial de 2002, Ciro usou um jatinho de uma das empresas do Grupo Vicunha. Em 2006, a CSN doou R$ 500 mil à campanha em que o pedetista se elegeu deputado pelo Ceará.

Em 2015, Steinbruch escolheu o ex-governador como presidente da Transnordestina. A construção da ferrovia, tocada pela CSN, enfrenta problemas e as obras estão paradas. Ciro ficou no cargo até maio de 2016.

A procura por um empresário faz parte da estratégia de Ciro de construir pontes com a elite financeira e empresarial do País, em um esforço para se aproximar de círculos liberais.

O pré-candidato do PDT busca ainda apoio no PSB, que ficou sem pré-candidato à Presidência após a desistência, na terça-feira, 8, do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa.

Até então, Ciro era, para analistas como a diretora executiva do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, um dos principais candidatos prejudicados pelo entrada de Barbosa na campanha. Agora, em tese, ele deve estar entre os que mais vão se beneficiar com a saída.

As dificuldades de seus concorrentes também estariam impulsionando as articulações em torno do pedetista. O PP passou a negociar aliança com Ciro diante do fraco desempenho nas pesquisas de intenção de voto do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com quem o partido tem compromisso de apoio. O parlamentar fluminense não passou de 1% nos levantamentos até agora. Integrantes da direção do partido até já comunicaram a articulação a Maia e ao presidente do DEM e prefeito de Salvador ACM Neto.

Ciro Nogueira admitiu conversas com os irmãos Gomes sobre possível apoio ao ex-ministro. “Político é bicho para conversar, né? Temos uma relação muito boa com eles.” O presidente nacional do PP afirmou, porém, que a legenda só deve tomar uma decisão em julho. “Não descartamos nada. Estamos esperando também definição do Rodrigo, com quem temos compromisso.”

A avaliação no PP é de que Ciro Gomes está nesta campanha com discurso de centro, campo político que a sigla julga ser mais próximo de sua visão. Além disso, para o partido, o pedetista pode ser um bom cabo eleitoral no Nordeste, região da maioria dos integrantes da cúpula da legenda. Apesar de ter nascido em Pindamonhangaba (SP), o ex-governador se mudou ainda pequeno para o Ceará, onde fez carreira na política.

DEM

Integrantes do PP tentam ainda convencer o DEM a apoiar Ciro. Um integrante da cúpula do partido de Maia disse que a hipótese já passou a ser considerada, mas ainda não houve articulação concreta. A avaliação é de que a aliança tem grande chance de acontecer, caso o cenário eleitoral se afunile para a disputa entre Ciro Gomes e o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), considerado de extrema-direita. Por enquanto, a cúpula do DEM mantém discurso de que a pré-candidatura de Maia continua. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Diário de Pernambuco

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