Foto: Reprodução/Bcn

Demora para lidar com a greve e dificuldades para perceber a gravidade da situação foram lamentadas por colegas de partido do presidente

 

A crise gerada pela greve dos caminhoneiros na última semana se tornou um dos momentos mais dramáticos do instável governo de Michel Temer (MDB) desde que assumiu o cargo, há pouco mais de dois anos, em 2016. Pouco mais de um ano após a delação de Joesley e Wesley Baptista, da JBS, que envolveram o presidente e seus aliados diretamente em esquemas de corrupção e pagamentos de propina, Temer voltou a balançar no cargo com a paralisação dos caminhoneiros, que realizaram bloqueios em estradas e rodovias e geraram uma crise de abastecimento em todo o país.

Se antes Temer contou com seu capital político e com o apoio de sua base aliada para barrar duas denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) no Congresso, desta vez o presidente foi alvo de críticas até mesmo daqueles que estão ao seu lado.

Com seu governo chegando ao fim derretido por decisões equivocadas, escândalos e baixa popularidade, Temer foi criticado [VIDEO] por governadores e outros políticos da base aliada, que afirmaram que o presidente demorou a perceber a gravidade e a tomar atitudes sobre a greve, tornando-se refém da categoria e do desespero que tomou conta do país.

Até mesmo políticos do próprio partido de Temer criticaram as ações do presidente durante a greve. Governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (MDB) afirmou ao jornal O Globo que apontou uma “brutal fragilidade do governo federal”. Também correligionário de Temer, o governador de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira, creditou à crise ao que chamou de “uma política equivocada de preços dos combustíveis” por parte do governo, que, segundo suas palavras, “demorou a perceber a gravidade” da situação.

Uma das únicas exceções foi o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, que defendeu Temer, dizendo que o presidente “fez o que era necessário e possível”. Enquanto isso, Temer foi alvo de outros partidos aliados, alguns dos quais tentam se afastar da imagem impopular do presidente. Com as eleições se aproximando em outubro deste ano, boa parte dos políticos tenta evitar associações com o presidente, que permanece no cargo mais por inércia do que por habilidade ou destreza política.

Fonte: Blasting

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