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Trocar dinheiro por meio de pagamento eletrônico geraria US$ 11,2 bilhões para São Paulo, diz estudo

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Pesquisa feita pela Visa levantou custos de fazer pagamentos. ‘Parece que aceitar dinheiro não tem custo’, diz diretor da empresa no Brasil.

 

Os benefícios trazidos se os meios eletrônicos de pagamentos fossem mais usados do que o dinheiro em espécie chegariam a US$ 11,2 bilhões na cidade de São Paulo, aponta um estudo da Visa divulgado nesta quarta-feira (7).

A pesquisa ataca a crença de que pagar com cartão é mais caro. “O grande ponto é ninguém faz essa conta quando se fala em dinheiro. Parece que aceitar dinheiro não tem custo”, diz Fernando Teles, diretor da Visa para o Brasil. A Visa é ao lado da Mastercard uma das maiores processadoras de pagamentos eletrônicos do mundo.

“O comerciante acha que se pagar uma taxa de cartão de crédito de 1% é 1% a menos no valor do produto. Mas ele não fez a conta de quanto custa ter dinheiro em espécie, aceitar dinheiro, ter troco, ir ao banco, ter que se deslocar, pagar pela segurança. Essa foi a conta que a gente fez.”

Entram ainda nesse cálculo as perdas de produtividade como a não realização de vendas por ausência de troco ou porque o cliente não tem notas ou moedas suficientes. Ele cita que para cada R$ 1 gasto em compras, as transações feitas com dinheiro consomem R$ 0,07 enquanto para as realizadas em cartão é de R$ 0,05.

Para isso, o estudo levantou os custos para se aceitar pagamentos em dinheiro em espécie e aqueles para implantar e manter sistemas para pagar contas com cartões. O resultado da diferença entre um e outro é o que a Visa chama de “benefício líquido”.

A conta foi feito a pedido da Visa pela Roubini ThoughLab para 100 cidades ao redor do mundo. A premissa do levantamento é calcular quais seriam os benefícios gerados para os moradores desses locais se todos se comportassem na hora da compra como os 10% da população que mais usa meios eletrônicos.

São Paulo e Brasília foram as brasileiras analisadas. A capital paulista é a oitava dentre as analisada que teria o maior benefício financeiro. As dez maiores são:

  1. Tóquio (Japão): US$ 48,9 bilhões
  2. Londres (Reino Unidos): US$ 24,9 bilhões
  3. Osaka (Japão): US$ 21,2 bilhões
  4. Xangai (China): US$ 13,4 bilhões
  5. Buenos Aires (Argentina): US$ 12,4 bilhões
  6. Cidade do México (México): US$ 12,1 bilhões
  7. Pequim (China): US$ 11,5 bilhões
  8. São Paulo (Brasil): US$ 11,2 bilhões
  9. Paris (França): US$ 10,6 bilhões
  10. Chicago (EUA): US$ 9,7 bilhões

O dinheiro total do benefício é uma soma dos valores gerados para consumidores, comércio em geral e para a administração pública.

Saidinha de banco

Os consumidores da cidade de São Paulo ganhariam US$ 1 bilhão por ano, o que resultaria em US$ 72 por adulto. Eles seriam beneficiados, aponta o estudo, pela economia de tempo em agências bancárias e em supercados varejo e no trajeto de deslocamento até esses estabelecimentos. Em média, as pessoas das cidades analisadas gastam 25,7 horas por ano sacando dinheiro em caixas eletrônicos, indo ao banco e pagando contas pessoalmente.

A automatização de alguns pagamentos corriqueiros também traria benefícios adicionais. Nas contas da Visa, os consumidores pagam US$ 15 por ano com atraso de dívida. Se uma solução como o débito automático fosse adotada, a perda cairia para US$ 7.

Menos dinheiro e mais cartão também reduziria a criminalidade em 69%, mostra o estudo. “Todo mundo vê o que é a saidinha de banco”, diz Gustavo Noman, diretor de relações governamentais da Visa. Os benefícios gerados para moradores das 100 cidades seria de US$ 28 bilhões.

Em São Paulo, os benefícios para o comércio seriam de US$ 7 bilhões (US$ 13.199 a mais para cada empresa que fature US$ 1 milhão). No mundo, essa conta chegaria a US$ 312 bilhões. Os benefícios para eles seriam a redução de roubos e furtos nos ganhos de eficiência.

Já o governo municipal receberia US$ 3 bilhões, ou 4% de aumento na arrecadação, pois conseguiria o registro de pagamentos eletrônicos permitiria reduzir sonegações tributárias e fraudes, além de reduzir a informalidade. Também cairia o gasto com a administração da Justiça, devido ao número decrescente de crimes, e com o manuseio do dinheiro. As administrações públicas das 100 cidades pesquisadas receberiam US$ 130 bilhões.

Empregos

O estudo da Visa também classificou as cidades de acordo com o nível da adoção de meios de pagamento eletrônicos. São Paulo e Brasília estão “em amadurecimento digital”, por ter uma utilização elevada de meios de pagamento eletrônicos mas uma inclinação cultural para usar dinheiro em espécie.

A Visa também mensurou ainda quais frutos a cidade colheria ao longo de 15 anos caso seus habitantes trocassem o dinheiro pelo uso de cartões.

Em 15 anos, seriam gerados mais 106 mil postos de trabalho na cidade.“Quando vocÊ tem mais vendas, tem mais eficiência. O negócio cresce, a economia cresce e, quando a economia cresce, você gera mais empregos”, explica Namon.

“Quando você começa a comprar mais, alguém precisa fabricar esse produtos. Você começa a impactar toda a cadeia.”

Durante esse período, a Visa calcula que haveria um aumento de produtividade de 0,2% ao ano e altas salariais de 1,1% ao ano. O PIB paulista aumentaria, calcula o levantamento, em 0,23 pontos base por ano.

Fonte: G1

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