A foto, do dia 21 de março, mostra uma voluntária da Cruz Vermelha moçambicana carregando mantimentos para sobreviventes do ciclone Idai, na Beira, em Moçambique. – Foto: Red Cross Red Crescent Climate Centre/Handout via Reuters

Entidade anunciou que suprimentos chegaram a uma comunidade próxima da cidade de Beira que ficou completamente isolada após a passagem de ciclone. ONU começou campanha de vacinação contra cólera na cidade, que já tem mais de 1,4 mil pessoas infectadas.

A Cruz Vermelha anunciou, nesta quarta (3), que os primeiros mantimentos enviados pela organização chegaram à comunidade de Búzi, em Moçambique. Segundo a organização, mais de 2,3 mil pessoas estavam isoladas no local, que fica a cerca de 160 km ao sul da cidade de Beira, a mais afetada pelo ciclone Idai, que atingiu o país no dia 14 de março.

A entidade informa que a leva de mantimentos — que incluiu kits de abrigo, galões, jogos de cozinha, lonas, baldes e ferramentas — é a primeira de muitas que devem chegar a 20 mil pessoas em Búzi.

” Todos os suprimentos de socorro trazidos para esta distribuição foram entregues por barco e por ar, já que todo o acesso rodoviário foi completamente impossível “, explicou Jamie LeSueur, líder de equipe no Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

A Cruz Vermelha já estava no território cerca de duas semanas antes de o ciclone chegar ao país e continua a apoiar “mais de 200 mil pessoas na zona de desastre”, segundo comunicado. A cidade costeira de Beira, com quase meio milhão de habitantes, foi destruída em 90% pelo ciclone Idai, que deu origem à pior crise humanitária na história recente de Moçambique.

“Sabemos que existem muitas áreas duramente atingidas, como Búzi, onde as pessoas precisam desesperadamente de ajuda. Estamos fazendo tudo o que podemos para alcançar essas pessoas o mais rápido possível ”, disse LeSueur. “As famílias que encontramos ontem já passaram por tantas coisas. Mas houve verdadeira alegria hoje, e foi incrível ver a resiliência dessas pessoas quando elas começaram a trilhar o caminho para reconstruir suas vidas ”, afirmou.

Ciclone Idai atingiu Moçambique, Zimbábue e Malauí. – Foto: Karina Almeida

Nesta terça (2), o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) de Moçambique comunicou que 598 pessoas morreram e 1.641 ficaram feridas por causa da tempestade tropical.

Vacinação

Também na Beira, oficiais de saúde da ONU lançaram nesta quarta (3) uma campanha de vacinação contra o cólera — que já infectou 1.428 pessoas em Moçambique, de acordo com o governo. A agência de saúde da organização afirma que enviou cerca de 900 mil doses da vacina, que é dada por via oral, para o país. O objetivo é imunizar essa quantidade de pessoas em seis dias.

“Não devemos focar tanto nos números, já que há, ainda, muitas pessoas que não estão sendo testadas para o cólera”, afirmou o porta-voz da ONU Christian Lindmeier. “O mais importante é tratar as pessoas doentes o mais rápido possível”.

Criança recebe tratamento para cólera em centro da OMS, na cidade de Beira, em Moçambique — Foto: Tsvangirayi Mukwazhi/AP
Criança recebe tratamento para cólera em centro da OMS, na cidade de Beira, em Moçambique – Foto: Tsvangirayi Mukwazhi

A campanha deve vacinar, inicialmente, 100 mil pessoas, e tem previsão de se estender para fora de Beira nos próximos dias.

Existem três vacinas para o cólera pré-qualificadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), todas de administração oral e que requerem duas doses para proteção total: a primeira garante proteção por seis meses. A segunda, por um período de três a cinco anos, segundo a organização.

Nos primeiros quatro meses de 2018, mais de 15 milhões de doses da vacina contra o cólera foram aprovadas para uso global, diz a OMS. Para ser incluída na lista da organização, uma vacina precisa estar de acordo com as especificações operacionais para embalagem e apresentação para compra e ser adequada para uso na população alvo.

Em 2016, uma outra versão da vacina, de dose única, foi aprovada nos EUA, onde as versões pré-aprovadas pela OMS não estão disponíveis.

O cólera é endêmico em Moçambique, que teve surtos frequentes nos últimos cinco anos. Cerca de 2 mil pessoas foram infectadas no último deles, que terminou em fevereiro de 2018, de acordo com a ONU. A escala de destruição da infraestrutura sanitária de Beira, assim como a população densa da cidade, têm levantado temores de que outra epidemia seja difícil de controlar.

Na terça-feira (2), as Nações Unidas pediram US$ 392 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) à comunidade internacional para financiar a resposta humanitária no sul da África pelos próximos três meses. Até agora, US$ 46 milhões (cerca de R$ 177 milhões) foram recebidos. Fonte: G1

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