Amina Muaddi: a designer de sapatos que virou hit pelos saltos geométricos

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Criada entre a Jordânia e a Romênia e hoje vivendo entre Milão e Paris, Amina Muaddi desenha sapatos exuberantes que têm como marca registrada saltos altos com toque geométrico

 

Desde que o streetwear invadiu a moda, o tênis se tornou a bola da vez das coleções de muitas marcas de luxo. Mas é o bom e velho salto alto a aposta de Amina Muaddi, dona da grife de sapatos batizada com seu nome que vem dando o que falar mundo afora. Figurinha carimbada em cliques de street style e na primeira fila de desefiles como Valentino e Gucci, a romena-jordaniana anunciou o lançamento da label através de seu próprio perfil no Instagram (@aminamuaddi), em agosto passado. No post (com uma imagem da campanha de estreia), a modelo e amiga Tina Kunakey usava uma sandália preta que chamava a atenção por ser ao mesmo tempo luxuosa e cool: com três tiras finas decoradas com cristais Swarovski, o sapato tinha um quê de anos 90, atualizado por um salto altíssimo de base piramidal, design geométrico que virou instantaneamente marca registrada de Muaddi, que há quatro anos também assina a linha de sapatos ultrassexy do estilista francês Alexandre Vauthier.

Dois dias depois do post, a coleção já podia ser encontrada em multimarcas e e-commerces de peso como Net-A-Porter, Browns e Farfetch. Em poucos meses, a maior parte do estoque se esgotou, parando em guarda-roupas poderosíssimos – da estilista da grife italiana Attico (e melhor amiga de Amina) Giorgia Tordini ao de Rita Ora, passando pelo da rainha Rania da Jordânia. Não é qualquer designer de 32 anos que consegue apostar (e surfar) no “see now, buy now”, modelo de negócios que apresenta e comercializa o produto simultaneamente. “Queria excitar o público, e não entediá-lo com a espera – por isso aguardei até a véspera da chegada do produto às lojas para revelar o lançamento da marca. Acho que o formato funciona porque a aquisição de um par de sapatos é bem mais emocional que a de roupas”, diz à Vogue, durante a sessão de fotos para esta matéria, em Paris.

Apaixonada por sapatos desde sempre (“Quando ficava de castigo na adolescência, minha mãe não me deixava chegar perto dos seus saltos”), Amina cresceu entre a Jordânia e a Romênia, países de origem de seu pai e de sua mãe, respectivamente. “Não havia por ali um universo de moda estimulante, então sonhava com Manolos, Pradas e Miu Mius virando as páginas de revistas estrangeiras.” Aos 15 anos, decidiu se mudar para Milão, onde já costumava passar as férias na casa de uma tia, para terminar os estudos. Depois de se formar em comunicação de moda no Istituto Europeo di Design da cidade, ela começou a trabalhar como assistente de styling em editoriais para a L’Uomo Vogue e a GQ americana (emprego que a levou a se mudar temporariamente para Nova York).

Mule coberta de glitter e tira de cristal (€ 725).  (Foto: Thomas Tebet)
Mule coberta de glitter e tira de cristal (€ 725). (Foto: Divulgação)

Em 2012, resolveu mergulhar de cabeça na paixão por sapatos. Voltou para a Itália, mais precisamente para a região do Vêneto, importante centro de manufaturas de calçados do país, onde passou um ano ao lado de dois artesãos aprendendo de A a Z tudo sobre o acessório e conhecendo todos os fornecedores. Em 2013, aos 25 anos, abriu com dois sócios a marca Oscar Tiye, cujos stilettos glamorosos foram parar rapidinho nos pés de modelos como Gigi Hadid e Kylie Jenner. “Mas eu era muito jovem, não tinha muita ideia do que estava fazendo, principalmente em relação aos negócios. Minha visão acabou se distanciando da dos meus sócios”, conta sobre sua saída da grife, em 2017.

A designer passou o ano seguinte maturando todos os detalhes da marca que levaria o seu nome. Quando os rascunhos estavam prontos, ainda sentiu que faltava algo para deixá-los únicos. “Foi aí que tive a ideia de colocar o final de um salto flare num stiletto. Ficou exagerado e cool”, conta ela, que se divide entre Paris (onde fica o ateliê da grife) e Itália, onde os sapatos são feitos. Nem todos os modelos levam, no entanto, o toque geométrico. O que une as criações é o apreço da designer por materiais exuberantes – como cetim, strass, tule, veludo em cores vivas, couro furta-cor e plástico. “Sapatos são como esculturas, têm vida própria – e o poder de mudar como você está se sentindo.”

Amina Muaddi posa no hotel Brach, em Paris, usando escarpins (€ 495) de PVC com glitter e couro holográfico (Foto: Thomas Tebet)
Amina Muaddi posa no hotel Brach, em Paris, usando escarpins (€ 495) de PVC com glitter e couro holográfico (Foto: Thomas Tebet)

Fonte: Vogue

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