por Thais Herédia

A taxa de juros básica da economia vai chegar a 8,25% nesta semana. É o que deve decidir o Comitê de Política Monetária do Banco Central, na próxima quarta-feira, dia 06.  A última vez que tivemos juros na casa dos 8% foi em agosto de 2013 e o viés era de alta. Agora o momento é o oposto do que vivemos há quatro anos, quando a economia caminhava numa rota de colisão e desequilíbrios profundos, como vimos acontecer.

A rota atual é de recuperação, lenta e frágil, mas de retomada, não de piora, mas há um timing diferente acontecendo com a inflação. As surpresas baixistas e consecutivas com o IPCA não abrem espaço para experimentos ou conservadorismo do BC. As previsões reveladas pelo Boletim Focus não deixam dúvidas de que a redução dos juros vai continuar até pelo menos a Selic alcançar 7%, provavelmente ainda este ano. A expectativa para o IPCA está abaixo da meta para 2017 e 2018: 3,38% e 4,18%, respectivamente.

Já tem gente no mercado ‘pensando alto’ numa taxa de juros abaixo de 7%, mas ainda é muito cedo para confiar neste prognóstico, dados os riscos que a crises política e fiscal ainda impõem. Toda vez que o Copom mexe na taxa básica, a economia leva entre 6 e 9 meses para reagir e se adaptar ao novo patamar. Por isso, o BC já começa a olhar para 2018 a partir do encontro do Copom desta semana. A calibragem nos juros tem de estar alinhada com a força da recuperação da atividade e com a trajetória esperada para os preços no ano que vem.

Por enquanto, os sinais são de que a economia vai engatar uma segunda marcha, mas sem empolgação. Mesmo que o ritmo melhore ao longo do segundo semestre, a ponderação dos riscos precisa continuar. Ano que vem teremos eleições gerais, o Congresso já terá parado de votar reformas e o que não tiver sido aprovado este ano vai ser transferido obrigatoriamente para o próximo governo – caso da reforma da previdência, tudo indica.

O espaço que o BC tem para reduzir juros está ligado também à ociosidade do parque produtivo, que ainda é bem alta. É difícil prever quanto tempo e com que intensidade o consumo das famílias – impulsionado pela queda da inflação e dos juros – vai religar as máquinas. Quando este processo já estiver adiantado, vai ser possível enxergar melhor os riscos de oferta na economia e, em seguida, ajustar o apetite da demanda por consumo.

Talvez o BC estique bem a corda, baixando os juros com mais força num primeiro momento, para depois refazer a sintonia mais correlacionada com a realidade pós-retomada. Qualquer que seja a escolha, a trajetória dos juros no Brasil tende a ser mais estrutural e permanente, sem que o país viva solavancos e idas-e-vindas mais bruscas. Dito isto, vem a ressalva, tão intensa quanto as possibilidades positivas para o futuro: sem a continuidade da aprovação das reformas e com o avanço de uma candidatura com propostas de ruptura com a política econômica atual, o quadro inteiro se reverte.

Nem o BC, nem o gênio da lâmpada seriam capazes de prever este desfecho agora. Por isso é essencial agir com o que temos neste momento: inflação em queda, atividade em recuperação lenta e espaço para derrubar os juros.

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Fonte: G1

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