Home Brasil Decisivo para apoio de bloco a Alckmin, Valdemar não trabalha com almoço grátis

Decisivo para apoio de bloco a Alckmin, Valdemar não trabalha com almoço grátis

6 primeira leitura
0

O deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) durante entrevista na Câmara, em 2016. (Foto: José Cruz)

Fiel da balança na decisão do “Centrão” (PP, DEM, PR, PRB e SD) em apoiar Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) está acostumado a se colocar na posição de cortejado.

Desde que foi preso no escândalo do mensalão do PT, o ex-deputado Valdemar Costa Neto passou a ser um personagem que transita nas sombras do poder, sem se incomodar com encontros escondidos, sem registros em palácios oficiais.

Não se importa por saber que tem mais protagonismo e poder do que muitos políticos que vivem na superfície, com mandato – além de não fazer discriminação: se algum político tem algo a oferecer, ele tem 5 minutos.

Ofereceu mais do que isso, por exemplo, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto de 2016. Lula trabalhava por votos para impedir o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Chamou para uma conversa o todo poderoso cacique do PR, em um hotel em Brasília. Valdemar ouviu o apelo do ex-presidente pelos votos do PR no Senado. Mas, àquela altura, 3 dos 4 senadores da bancada do PR já eram votos pró-impeachment.

Quando Temer virou presidente, as coisas praticamente continuaram iguais para o PR, que já exercia influência na área dos Transportes desde o governo do PT.

Valdemar, no entanto, está sempre posicionado: viu a chance de aumentar seu capital político em um novo momento de dificuldade do Palácio do Planalto – agora sob Temer: as novas denúncias contra o presidente.

Em julho de 2017, Temer chamou para um encontro escondido no Palácio do Planalto o manda-chuva do PR. Pediu votos da bancada do partido na Câmara para barrar a primeira denúncia da Procuradoria-Geral da República. Valdemar queria mais cargos, mais vantagens. Mas haveria um melhor momento, que aconteceu em seguida: a segunda denúncia.

Por votos do PR para barrar a segunda denúncia, Temer prometeu a Valdemar, em outubro de 2017, a não privatizar o aeroporto de Congonhas, por conta dos cargos do partido na área.

Por falar em cargos, Valdemar prometeu a Temer, em fevereiro deste ano, em um encontro no Palácio do Jaburu, votos pela reforma da Previdência – desde que o partido tivesse mais cargos na Esplanada. O PR e as outras legendas do “Centrão” estão de olho na máquina federal para usufruir do cofre e fazer campanha nas bases.

Foi esse um dos motivos, aliás, que fez Valdemar dar meia volta volver nas negociações com Ciro Gomes para o apoio presidencial na eleição deste ano.

Assim com o PP, o PR corria o risco de ser convidado a se retirar do governo Temer se apoiasse Ciro. Para evitar turbulências, Valdemar começou a guinada, e trabalhou dentro do “Centrão” pelo apoio a Geraldo Alckmin.

De quebra, indicou Josué Gomes, filiado ao PR, para a vice do tucano.

Valdemar gosta de ditar o ritmo das negociações políticas e, principalmente, dos acordos. De preferência, gosta de saber o que vai levar daquela articulação. Se não for à vista, pode ser a prazo. Mas não trabalha com calote, nem com almoço grátis.

Fonte: G1

Carregar Mais Artigos Relacionados
Carregar mais por Redação BCN
Carregar mais por Brasil

Veja Também

Polícia Civil prende por tráfico de drogas casal que ostentava vida de luxo em bairro da periferia de Presidente Epitácio

Dinheiro, celulares e documentos apreendidos pela Polícia Civil na residência do casal Dup…