Em 1959, Rei do Futebol apresentou soco no ar após lance histórico na Javari

 

Por Pedro Rubens Santos, estagiário do R7

O gol mais bonito de Pelé não foi registrado em imagens. Este tento do Rei foi algo tão belo que apenas os presentes na Javari no dia 2 de agosto de 1959 podem descrever a mágica do camisa 10 santista no meio da defesa do Juventus. Até hoje, um busto de Pelé figura na entrada do estádio, para eternizar o momento inesquecível.

Neste domingo (10), a Javari receberá novamente o Santos. É verdade que quem visitará bairro da Mooca será o time B do alvinegro, uma equipe formada quase inteiramente por jovens em transição entre a base e o profissional. Mas ainda assim, é uma oportunidade para lembrar o incrível feito de Pelé, ocorrido há mais de 58 anos.

Como o gol histórico aconteceu no longínquo ano de 1959 e foi visto apenas pelos torcedores e jogadores que estavam presentes no duelo, o R7 pediu a ajuda de Pepe, eterno parceiro de Pelé no Santos, para explicar como foi aquele 2 de agosto no Estádio Conde Rodolfo Crespi.

“O Pelé deu chapéu em três jogadores e depois mais um no goleiro, o Mão de Onça, e fez o gol de cabeça. Eu, que joguei 15 anos com ele, nunca vi um gol tão bonito como aquele”, descreveu o Canhão da Vila, que assistiu à pintura da ponta esquerda, onde costumava jogar.

 

A jogada do golaço começou do lado direito, nos pés de Dorval. Ele levou a bola para o ataque e passou para o Rei na entrada da área. “Eu era ponta esquerda. Recebia orientação do Lula, técnico na época, para jogar bem aberto e não fechar. O Coutinho e o Pelé precisavam de espaço para fazer as tabelas pelo meio”, contou Pepe. “Era para eu e o Dorval não embolarmos”.

Não bastasse o gol antológico marcado, o Rei ainda venceu o goleiro Mão de Onça mais duas vezes naquela partida. Dorval também deixou o seu, garantindo ao Santos uma vitória por 4 a 0. Este também foi o dia em que nasceu a comemoração eternizada por Pelé: o soco no ar.

“O Juventus queria jogar na Javari para dificultar para o Santos. Caso contrário, aceitaria jogar no Pacaembu. Lá (na Javari) era muito difícil de jogar. A torcida do Juventus ficou em cima o tempo todo, mas a fase do Santos era muito boa”, lembrou o atacante que, naquele jogo, formou o quarteto ofensivo com Pelé, Dorval e Coutinho. “Foi uma partida que o Santos mereceu ganhar”.

Neste domingo, quem carregará o número 10 nas costas será o jovem Diogo Vitor. A joia de 20 anos, que chegou a ter uma breve oportunidade na equipe profissional com Dorival Júnior, em 2016, conhece a história da pintura que o Rei do Futebol fez no gramado da Mooca.

“Vou dar meu melhor para brilhar no campo em que ele fez seu gol histórico”, declarou o garoto. “Vestir a camisa 10 do Rei do Futebol será sempre um privilégio. Mas não levo como um peso, até porque número de camisa não te faz o melhor jogador”.

A modesta Copa Paulista dá ao campeão uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro. O Santos de Diogo Vitor utiliza o torneio como preparação para muitos garotos do elenco. E se não será Pelé o responsável por balançar as redes da Javari neste domingo, Diogo Vitor está pronto para repetir a história e ajudar o time da Vila Belmiro a conquistar outro triunfo e seguir vivo na competição estadual.

Fonte: R7

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