Você prefere um patinete ou um carro? Uma celular novo ou um buquê de flores? Na economia tradicional, não importa tanto a sua preferência – o que é importante é saber que todos nós temos as nossas. Se você prefere um smartphone, a cada vez que surgir uma oportunidade de validar a sua escolha, você sempre optará pelo aparelho.

No entanto, e de forma chocante para a comunidade de economistas, dois psicólogos descobriram um fenômeno no qual podemos ser levados a preferir o celular às flores e, pouco tempo depois, as flores ao celular. Nos anos 1970, Sarah Lichtenstein e Paul Slovic encontraram o que chamaram de “reversão de preferências”.

Lichtenstein e Slovic montaram um estudo no qual apresentavam aos participantes duas apostas diferentes. A aposta A, mais conservadora e com ganhos quase garantidos, havia uma probabilidade de 97% de ganhar US$ 10 (e 3% de não ganhar nada). Já a aposta B, mais arriscada, dava 37% de chances de ganhar US$ 30 (e 63% de não ganhar nada).

Os participantes deviam escolher qual delas preferiam, e o resultado foi quase unânime: a maior parte optava pela aposta A, pois gostavam da ideia de ter um ganho quase certo. A aposta A era superior à B.

No entanto, logo depois, eles perguntaram aos participantes que haviam optado pela aposta A: “Suponha que você seja dono da aposta A. Qual seria o menor preço que você estaria disposto a vende-la?”. Na sequência, fizeram a mesma questão a respeito da aposta B. E foi então que o cenário estranho começou a acontecer: a maioria pediu mais dinheiro para abrir mão da aposta B do que da aposta A – o que significava que, para eles, a aposta B valia mais do que a A.

Mas como podem preferir a aposta A a B e, ao mesmo tempo, B a A? Nas palavras do economista Richard Thaler, o resultado do estudo era uma “blasfêmia” na época. “Esta descoberta perturbava um dos fundamentos teóricos essenciais de qualquer teoria econômica formal de que as pessoas têm aquilo a que se chama de ‘preferências bem definidas’, o que significa que sabemos bem aquilo que gostamos”, contextualiza Thaler.

“Pouco importa para os economistas se gostamos mais de um colchão firme ou mole ou vice-versa, mas não podem tolerar que digamos que preferimos um colchão firme a um mole E um colchão mole a um duro”, explica.

Muitos questionaram o resultado do experimento na época e os economistas experimentais David Grether e Charlie Plott decidiram fazer o teste com dinheiro real, conforme conta Thaler no livro “Comportamento Inadequado”. Para a surpresa de todos, colocar dinheiro na jogada apenas aumentou a frequência com que este fenômeno aparecia.

Trocando em miúdos, o estudo mostrou até que ponto o modelo de racionalidade da economia cai por terra quando estamos falando de questões do dia a dia. É o caso de uma pessoa que sai de casa com uma missão simples: comprar um novo jogo de toalhas. Dependendo das promoções e das estratégias da loja, ela é capaz de voltar para casa com um enxoval completo, mas esquecer de incluir as toalhas.

Post em colaboração com a jornalista Carolina Sandler    

Fonte:  G1

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