Os Estados Unidos repudiaram na quinta-feira a decisão de El Salvador de cortar os laços diplomáticos com Taiwan a favor da China, dizendo que a mudança representa uma preocupação séria para Washington e alertando que Pequim oferece incentivos econômicos visando o domínio.

Atualmente a autogovernada Taiwan só tem laços formais com 17 países, quase todos nações pequenas e menos desenvolvidas na América Central e no Pacífico, como Belize e Nauru.

A presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, prometeu nesta semana enfrentar o comportamento chinês “cada vez mais fora de controle” depois que El Salvador se tornou o terceiro país a debandar para o lado de Pequim neste ano. A China considera Taiwan uma província rebelde sem direito a ter relações com outros Estados.

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Em um comunicado que deve acirrar as tensões já grandes com a China, a Casa Branca disse que o governo de El Salvador tomou a decisão “de uma maneira nada transparente poucos meses antes de deixar o cargo”.

“A receptividade do governo de El Salvador à aparente interferência da China na política doméstica de um país do hemisfério ocidental é uma grande preocupação para os Estados Unidos, e resultará em uma reavaliação de nosso relacionamento com El Salvador”, disse.

Os países que querem inaugurar ou ampliar laços com a China para obter investimento direcionado pelo Estado para um crescimento econômico de curto prazo e para infraestrutura podem se decepcionar no futuro, disse a Casa Branca.

“Em todo o mundo, governos estão despertando para o fato de que os incentivos econômicos da China facilitam a dependência econômica e o domínio, não parcerias”, afirmou.

Taiwan acusa a China de cortejar seus amigos oferecendo pacotes de ajuda generosos, o que Pequim nega.

Reagindo ao comentário da Casa Branca, o porta-voz do escritório presidencial de Taiwan, Alex Huang, agradeceu os EUA por “falarem em nome da justiça”.

Em Pequim, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Lu Kang, exortou Washington a “encarar corretamente” o estabelecimento de relações com El Salvador, que descreveu como “perfeitamente justificado e legítimo”.

A China vem aumentando seus esforços para reduzir a presença internacional de Taiwan, o que inclui ordenar que empresas aéreas aliadas listem a ilha como parte da China em seus sites, e vem realizando exercícios militares frequentes em seus arredores.

Fonte: Reuters

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