Mãe fundadora de bloco conta que fantasias ajudam as crianças a se conectarem com a folia; especialistas alertam para os riscos que algumas delas apresentam.

Criança pula carnaval em bloco no Distrito Federal

Quem tem filho sabe que não é só no carnaval que as crianças pedem para se vestir como seus personagens preferidos. Mas é neste momento que as opções explodem nos comércios de todo o país.

Por isso, G1 conversou com criadoras de blocos infantis, uma dona de uma confecção, dois pediatras e uma ONG especializada em segurança infantil para dar orientações de como escolher a fantasia que provavelmente seu pequeno vai querer usar pelo resto do ano.

Veja dicas*:

  1. Conforto é prioridade. A roupa precisa ser leve e, de preferência, de tecidos naturais, como o algodão. Fios sintéticos devem ser evitados;
  2. Se a peça tiver algum tecido mais áspero, como tule, ou ter aplicação de outro material, como glitter, deve ser forrado;
  3. Atenção para fantasia que tem botões, lantejoulas, miçangas ou outras peças pequenas. Elas podem se soltar ou serem arrancadas pelas crianças, engolidas ou introduzidas no nariz e boca;
  4. Verifique se elásticos estão reforçados por um pano ou costura, do contrário podem machucar;
  5. Cuidado com cordões e acessórios no pescoço. A criança pode sofrer asfixia;
  6. Peças salientes, como capas e asas, não devem ser muito maiores do que a altura e largura da criança. A criança pode se enroscar e tropeçar;
  7. Perceba se a peça de roupa altera a mobilidade da criança.Caudas de sereia, por exemplo, por atarem os pés, podem causar um acidente;
  8. Máscaras que cobrem o rosto devem ser evitadas, já que podem dificultar a respiração e alterar a visão e senso de direção;
  9. Tintas usadas em maquiagens artísticas devem ser atóxicas e hipoalergênicas. É importante ter cuidado com a região dos olhos. Evite pintar o rosto inteiro e usar glitter.
  10. Por ser um momento lúdico, respeite a escolha da fantasia da criança. Não tente impor seus gostos. Desta forma, ela conseguirá se sentir à vontade para participar da celebração com família e amigos.

Com que roupa eu vou

A fisioterapeuta Helen Henrique, fundadora do bloco infantil “Mamãe Eu Quero”, que chega a atrair 30 mil pessoas em São Paulo, acredita que as fantasias ajudam as crianças a se conectarem com a folia.

“Criança tem uma relação com fantasias muito especial. A roupa é um instrumento de transformação”, afirma.

Bloco "Mamãe Eu Quero" é opção para crianças no carnaval de rua de SP — Foto: Divulgação/Bloco Gente Miúda
Bloco “Mamãe Eu Quero” é opção para crianças no carnaval de rua de SP (Foto: Divulgação/Bloco Gente Miúda)

Para encantar os pequenos, a bateria do bloco também se veste de personagens infantis. “As crianças veem os ritmistas tocando como os personagens do momento e isso aproxima muito”, conta Helen. Segundo ela, com as meninas, as personagens que fazem mais sucesso são as do desenho “Ladybug” e também do filme “Frozen”, da Disney. Com os meninos, são os super-heróis que atraem os olhares.

É o que também percebe a musicista Kel Figueiredo, do bloco infantil Gente Miúda, também de São Paulo. Ela tem um filho de 3 anos que escolheu se fantasiar de Batman. Mesmo comandando uma festa inspirada nos carnavais antigos, ela não teve jeito de convencê-lo a desistir da ideia.

“No bloquinho, a banda tenta ir com alguma coisa que remeta os antigos carnavais. Então são os bebês que ficam nas fantasias mais tradicionais, já que são as mães que vestem”, brinca.

Helen também observa essa vontade das crianças de se vestirem como quiserem, mesmo que a fantasia pareça quente demais para os dias de festa.

“Meu filho quis ser um Homem Aranha, preto, inteiro coberto. Não teve calor que o convencesse do contrário”, conta.

Helen Henriques, organizadora do bloco "Mamãe Eu Quero", que sai nas ruas de SP — Foto: Divulgação/Bloco Mamãe Eu Quero
Bloco “Mamãe Eu Quero” é opção para crianças no carnaval de rua de SP (Foto: Divulgação/Bloco Gente Miúda)

O médico pediatra Alberto Helito, do Instituto da Criança do Hospital das Cínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, recomenda que os pais respeitem a decisão da criança, para que ela se sinta à vontade para participar da comemoração com a família e amigos.

“Lógico que com as crianças mais novas, [a fantasia] vai ser do gosto dos pais. Mas já aos 2, 3 anos, ela é plenamente capaz de se posicionar. Vai falar: ‘eu gosto disso, do personagem tal’. É importante que ela já entre nessa brincadeira já gostando. Alguns pais quererem compor fantasia e, às vezes, não levam em conta o que criança gosta”, comenta.

Roupas produzidas pela confecção da Claudia priorizam o conforto das crianças — Foto: Divulgação/MiniEncanto
Roupas produzidas pelo (Foto: Divulgação/MiniEncanto)

Pensando nessa necessidade dos pais em vestir os filhos como seus personagens preferidos e ainda manter o conforto, a empresária Claudia Montez da Costa montou uma confecção no Rio de Janeiro especializada em “roupas divertidas”, como ela mesmo define.

São peças inteiras de algodão, que não precisam ficar restritas somente ao carnaval. “Dá para comprar a peça antes e aí criança também usa no carnaval. É feita para usar o ano inteiro. Mesmo quando tem algum tecido sintético, como o tule, ele é forrado com algodão, então não machuca a criança”, comenta.

Cláudia vende as roupas pela internet e também tem 100 revendedores por todo o país. Ela diz que tenta incluir sempre os pais nas criações das peças, que se sentem felizes em fazer parte do processo. “Por ser uma confecção de médio porte, gente tem bastante esse contato direto. Eles ficam felizes com isso. Eles querem falar, escutar, conversar, para dar uma sugestão, para elogiar”, conta.

Peças são feitas de algodão e podem ser usadas o ano inteiro — Foto: Divulgação/MiniEncanto
Peças são feitas de algodão e podem ser usadas o ano inteiro (Foto: Divulgação/MiniEncanto)

*Consultados para as dicas: Gabriela Guida de Freitas, gerente executiva da ONG Criança Segura; Renata Dejtiar Waksman, médica pediatra e coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência Doméstica Contra a Criança e o Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo; Alberto Helito, médico pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP); Claudia Montez da Costa, dona da marca Mini Encanto; Helen Henriques, organizadora do Bloco “Mamãe Eu Quero”; Kel Figueiredo, organizadora do bloco infantil “Gente Miúda”. Fonte: G1

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