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Líder do governo na Câmara diz que negociação será com partidos, e não com bancadas temáticas

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Governo trabalha para consolidar base que garanta aprovação de projetos prioritários. Nas próximas semanas, deve enviar ao Congresso a reforma da Previdência e pacote anticrime.

O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), disse nesta quarta-feira (6) que o governo, ao negociar com a base, vai dialogar com os partidos e não com bancadas temáticas.

Nas próximas semanas, há a expectativa de que a proposta da reforma da Previdência e um projeto de lei com medidas de combate ao crime organizado e corrupção sejam enviados ao Congresso. O Palácio do Planalto trabalha para assegurar maioria para garantir a aprovação das medidas.

No ano passado, durante a transição de governo, o então presidente eleito Jair Bolsonaro, com um discurso de que mudaria a forma de fazer política, privilegiou o diálogo com as frentes parlamentares, como a evangélica e a da segurança pública, para compor os seus ministérios e deixou de lado os partidos.

Diante do mal-estar, precisou mudar a estratégia e passou a tratar também com as legendas.

“Houve, durante a campanha, a tese de que o governo não negociaria, não trataria, não conversaria com os partidos, que seria feito através das frentes parlamentares, dos grupos temáticos. É logico que não vai acontecer, o próprio regimento, a Constituição e as leis dão uma legitimidade para os partidos políticos e o governo vai prestigiar os líderes”, afirmou Vitor Hugo ao deixar a primeira reunião do ano com os líderes partidários e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“Nunca houve a intenção de não conversar com os partidos. O presidente da República tem sete legislaturas, é um eterno parlamentar. Então, ele tem a total compreensão dos partidos políticos e, de modo particular, dos lideres partidários, que são eleitos por seus pares”, completou o líder do governo na Câmara.

Reforma da Previdência

Vitor Hugo não quis dar uma previsão de quanto tempo acha que levará para votar a reforma da Previdência na Câmara.

Sobre a declaração, dada por Maia na terça-feira (5), de que o objetivo é conseguir entre 320 e 330 votos favoráveis à proposta em até dois meses, Vitor Hugo disse que isso é mais uma “referência” e que “o prazo do parlamento vai ser respeitado”.

“É preciso que haja discussões, para o natural aperfeiçoamento do texto, o governo vai enviar uma proposta em breve, mas o choque de ideias aqui no parlamento vai fazer com toda certeza com que a proposta seja aperfeiçoada”, afirmou.

Ele disse que ainda não está definida a estratégia de como será a tramitação da proposta. Uma das possibilidades aventadas seria aproveitar o texto que já foi aprovado em uma comissão especial no governo Michel Temer.

Tramitação dos dois textos

O líder do governo avaliou como “viável” discutir no Congresso ao mesmo tempo tanto as mudanças na Previdência como o projeto anticrime. Para alguns líderes ouvidos pelo G1, a tramitação simultânea poderá dividir os esforços e o foco dos parlamentares.

“É viável tocar [ao mesmo tempo]”, disse Vitor Hugo. Segundo ele, a pauta de combate à corrupção é “importante para o país”.

“Uma das fraturas ou dos problemas que temos maiores é a questão da corrupção, do crime, da segurança pública. Então, o interesse de se discutir isso no parlamento é permitir uma solução para o problema que é grave no país”, afirmou.

Base aliada

Na saída da reunião, parlamentares criticaram os termos usados pela assessoria de Vitor Hugo em um convite para um encontro, na terça-feira (5), que tratou de reforma da Previdência. Em uma mensagem via celular, o convite se referia aos líderes da Câmara como aqueles de “apoio consistente” e de “apoio condicionado”. Diante da má repercussão, a reunião de terça teve baixo comparecimento.

“O termo que o líder do governo utilizou não foi algo pessoal: ‘Ei, você quer ir na minha casa?’ Eu vou mandar assessora te convidar pelos termos errados? Não! Se eu quero convidar você para a minha casa, eu ligo para você e digo: ‘Ei, vamos na minha casa?’ Os parlamentares, que são parlamentares experientes, sensíveis, extremamente sensíveis, e todo mundo gosta de ser respeitado”, afirmou o deputado Delegado Waldir (GO), líder do PSL.

Questionado sobre o tema, o líder do governo explicou que as expressões “apoio consistente” e “apoio condicionado” são termos usados pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), mas admitiu que sua assessora errou ao se referir à base dessa maneira.

“Nunca classifiquei nenhum partido nesse sentido. A base do governo vai ser construída com essas aproximações sucessivas. Foi um erro da equipe. Lógico, se eu sou o chefe da equipe, eu assumo o erro como sendo erro meu. Eu conversei com alguns líderes, inclusive explicando a ideia de que o governo não parte de um pressuposto que exista uma base. A base vai ser construída a partir de agora”, afirmou. Fonte: G1

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