Por meio das redes sociais, organizadores haviam convocado até ontem atos em pelo menos 312 cidades brasileiras. Em BH, grupo se reúne na Praça da Liberdade

Manifestantes se reuniram na manhã deste domingo em atos a favor do governo do presidente Jair Bolsonaro em várias cidades do país, como Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. A manifestação foi convocada por meio das redes sociais.

Belo Horizonte

Centenas de pessoas ocuparam a Praça da Liberdade, na manhã deste domingo, para manifestar apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). Apesar da orientação oficial passada por aliados do governo, de que a pauta se concentrasse na defesa da reforma da Previdência, o ato em Belo Horizonte contemplou temas variados. Os mais fortes são os ataques ao Congresso Nacional e ao Centrão, especialmente na pessoa do presidente da Câmara Rodrigo Maia (Dem).

Líderes dos movimentos se revezam aos microfones dos carros de som para pedir que “deixem o homem trabalhar”. Entre uma execução do Hino Nacional e outra, os discursos incitaram os que participaram do protesto a pressionar o Congresso a ajudar Bolsonaro a aprovar suas propostas. Entre elas, quem veio à praça destaca a nova Previdência e o pacote anti-crime do ministro Sérgio Moro.

Neste domingo, o caminhão do Movimento Brasil Livre não esteve presente, já que se posicionou contra a manifestação. O ato foi coordenado por grupos como o Direita Minas, Patriotas, Movimento Conservador Mineiro e representsantes de igrejas evangélicas.

Além de faixas contra Rodrigo Maia, o Congresso e o Centrão, os manifestantes pregaram o apoio ao escritor Olavo de Carvalho, que representa a ala mais ideológica do governo e tem se posicionado contra os militares.

Teste nas ruas

Bolsonaro passa por um teste de força nas manifestações. Embora tenha agido, nos últimos dias, para desvincular os atos de qualquer patrocínio do Palácio do Planalto, Bolsonaro foi alertado por aliados de que essas mobilizações viraram uma “armadilha” para sua gestão porque todos sabem como começam, mas nunca como terminam.

Por meio das redes sociais, organizadores haviam convocado até ontem atos em pelo menos 312 cidades brasileiras. Estão registradas também mobilizações em pelo menos dez municípios no exterior, sendo seis cidades nos Estados Unidos. A estimativa leva em conta eventos que têm locais e horários definidos. São Paulo lidera o número de municípios que têm manifestações programadas, com 63 cidades. Minas Gerais é o segundo, com 39 mobilizações. 

Monitoramento

O Palácio do Planalto monitora as redes sociais para verificar a possibilidade de participação de “infiltrados” ou ativistas “black bloc”. Há o temor de que, se houver confusão, isso possa ser debitado na conta do governo.

Não foi à toa que Bolsonaro repudiou a defesa do fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal nas manifestações. Após dizer que o problema do Brasil é a classe política e de compartilhar mensagem pelo WhatsApp afirmando que o País é “ingovernável” fora dos conchavos, sem poupar nem mesmo a Justiça, o presidente afirmou que quem apoiar pautas contra o Legislativo e o Judiciário “estará na manifestação errada”.

Temas

Mapeamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (Dapp-FGV) identificou que os ataques ao Congresso, em especial ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a parlamentares do Centrão, geraram a maior mobilização nas redes nos últimos dias. O levantamento leva em conta apenas mensagens publicadas no Twitter entre 17 e 24 de maio.

No período analisado, as menções ao Congresso foram a maioria: 512 mil mensagens. Os outros termos mais citados pelos perfis pró-Bolsonaro foram reforma da Previdência – 405 mil -, pacote anticrime, com 335 mil, Medida Provisória 870, com 232 mil, e STF, com 177 mil. No total, 2,54 milhões geraram debate em torno dos atos.

O Dapp detectou ainda queda no número de menções das manifestações ao fim da semana. Já o pico foi na quarta-feira de manhã – 41.529 mensagens -, quando Bolsonaro disse que não iria aos atos. Fonte: Em

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