Carlos Eduardo Mansur, do jornal “O Globo”, analisa “disputa de egos” no clube francês e considera problema recorrente entre os novos ricos do futebol internacional

O Paris Saint-Germain manteve os 100% de aproveitamento no Campeonato Francês ao vencer o Lyon por 2 a 0, no último domingo, mas o atrito entre Neymar e Cavani virou o assunto pós-jogo – mais uma vez, o brasileiro ficou insatisfeito em ver o companheiro ter prioridade na bola parada . Para o jornalista Carlos Eduardo Mansur, do jornal “O Globo”, o desentendimento dos atacantes mostra que o PSG corre o risco de se tornar uma soma de projetos individuais e ter o coletivo prejudicado.

– Tenho uma visão de que isso é reflexo de uma visão um pouco mais ampla. Se você pega todos esses clubes novos ricos do futebol mundial, adquiridos por um investisdor estrangeiro que chegou lá e implantou uma cultura totalmente diferente… é quase uma construção de um clube novo à imagem e semelhança de um dono que nenhuma relação prévia tem com aquilo. Ele entra e implanta isso, traz jogadores das mais diversos lugares do mundo e o clube não tem história de tradição e peso de camisa tão forte quanto outros gigantes, não tem uma linha mestra condutora do processo que seja a identidade do clube. O que isso vira? Vira uma soma de projetos individuais… projeto do Neymar, projeto do Cavani, foi o projeto do Di Maria, do Ibrahimovic. Agrupar isso dentro de um projeto coletivo nem sempre é fácil, ao contrário, é muito difícil – considerou.

Cavani Neymar PSG pênalti (Foto: Christophe Simon/AFP)

Cavani Neymar PSG pênalti (Foto: Christophe Simon/AFP)

Para Mansur, a “briga de egos” pode comprometer o desempenho do PSG como time. Ele cita exemplos de outros clubes que, embora investiram alto, não viram o investimento refletir em conquistas maiores.

– Não pode ser coincidência que esses clubes novos ricos, como Chelsea, Paris Saint-Germain, Manchester City, quebrando recordes e marcas ao longo do tempo, desde que foram adquiridos por seus donos, tenham um histórico de participação continental tão tímido – porque nos seus países se tornaram fortes naturalmente (tem uma Copa da Europa conquistada pelo Chelsea). O histórico de conquistas é tímido comparado ao peso dos gastos porque acabam se tornando um acúmulo de projetos individuais e vaidades acima do coletivo – considerou.

Na imprensa francesa, o desentendimento entre Cavani e Neymar tem ganhado cada vez mais destaque e o assunto já preocupa o clube, que pretende tratar da questão internamente.

– A história tem repercutido muito aqui, com várias vertentes e opiniões. Os jornais têm se posicionado, dizendo que o Neymar está querendo bater os pênaltis para melhorar os números dele no ano e chegar com uma boa forma de concorrer a ser o melhor jogador do mundo da Fifa – relatou o repórter Alexandre Oliveira, do SporTV, direto de Paris.

Segundo ele, fala-se inclusive de uma divisão interna dentro do grupo. Durante o jogo, Daniel Alves chegou a “tomar as dores” do Neymar após uma falta e entregou a bola para o camisa 10, apesar de Cavani ter manifestado o desejo de fazer a cobrança.

– Tem uma questão de relacionamento. A gente fica sabendo já que o Cavani não é da galera que brinca dentro do clube, é mais na dele. Parece que está criando a turma do Neymar e a turma do Cavani, que é bem menor, diga-se de passagem.

O PSG volta a jogar pelo Campeonato Francês no próximo sábado, ao meio-dia, quando enfrenta o Montpellier fora de casa – o SporTV transmite ao vivo.

Fonte: G1

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