Os detalhes da ação desastrosa que acabou em tiroteio entre policiais

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Cerca de R$ 15 milhões em notas falsas de 100 foi apreendido na ação

Contratados por empresários paulistas, agentes acompanhavam negociação com empresários mineiros que terminou com diversas prisões

 

Na tarde de sexta-feira (19), policiais civis de São Paulo e de Minas Gerais trocaram tiros no estacionamento do Hospital Monte Sinai, em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Na ação, o policial de Minas Rodrigo Francisco, 39 anos, e o empresário Jerônimo da Silva Leal Junior, de 42 anos, morreram. Foram apreendidos cerca de R$ 15 milhões em notas de R$ 100 falsas, munições, armas e dois carros.

O R7 apurou que as investigações iniciais apontam que empresários de SP e de MG estariam fazendo negociações há alguns dias — os paulistas trocariam dólares por reais com os mineiros.

Com receio do que poderia acontecer durante a troca, os paulistas contrataram um serviço de segurança. O dono dessa empresa é irmão de um investigador da PC (Polícia Civil) de SP.

Para garantir a segurança dos empresários paulistas, o dono da empresa e seu irmão convidaram um delegado do GOE (Grupo de Operações Especiais) de SP, amigo deles, que convocou outros policiais da corporação. O grupo alugou dois carros e viajou de São Paulo para Juiz de Fora, em Minas Gerais, na madrugada de quinta-feira (18).

Polícia diz que dinheiro encontrado após confronto entre agentes é falso

No mesmo dia, o delegado do GOE, o dono da empresa, um advogado e dois empresários fizeram a mesma viagem, mas em um avião alugado. Todos paulistas se hospedaram no mesmo hotel na cidade mineira, que fica próximo do Shopping Independência e do Hospital Monte Sinai, onde aconteceria o tiroteio.

Quando a negociação deu errado

A negociação estaria marcada para acontecer no lobby do hotel, quando os empresários paulistas entregariam dólares e receberiam reais dos mineiros. Para facilitar a comunicação, os policiais civis de SP criaram um grupo no WhatsApp para fazer a escolta dos empresários. Nesse grupo, eles teriam tirado fotos de policiais civis de Minas passando perto do hotel onde estavam em um carro particular.

No dia marcado para a troca, os empresários mineiros e paulistas se encontraram, mas ambos sem o dinheiro. Os empresários de SP teriam pego documentos dos mineiros para conseguirem a quantia com um doleiro. Os mineiros, por sua vez, teriam prometido que em 40 minutos estariam no hotel com o montante em reais.

Após o prazo, no entanto, os mineiros não apareceram.

Acreditando que a negociação não aconteceria, os paulistas dispensaram quatro policiais civis que estavam em um Jeep Renegade alugado para retornarem a São Paulo. Antes de os empresários saírem do hotel, porém, um dos negociadores mineiros teria ido ao local e dito que o dinheiro estava no estacionamento dos consultórios do Hospital Monte Sinai.

Tiroteio aconteceu no estacionamento dos consultórios do Hospital Monte Sinai

Tiroteio aconteceu no estacionamento dos consultórios do Hospital Monte Sinai (Foto: Reprodução/Facebook)

Um dos membros da cúpula de SP resolveu ir ao local para conferir. Ele foi acompanhado pelo delegado do GOE e pelo dono da empresa de segurança. Uma vez no hospital, eles teriam ido encontrar o empresário mineiro para tomar um café no 1º andar.

Após o encontro, foram todos até o estacionamento e confirmaram que o dinheiro estava no porta-malas de um Toyota Etios. Com tudo em ordem, o empresário paulista disse que voltaria ao hotel para finalizar a negociação entregando os dólares.

Quando ele deixou o estacionamento, porém, o negociador mineiro teria dito algo que fez o dono da empresa de segurança desconfiar que toda a ação se tratava de um golpe. Ele teria segurado à força o mineiro enquanto procurava sinal no subsolo para poder ligar para o paulista.

Foi neste momento que quatro policiais civis de MG teriam abordado outro Jeep Renegade na avenida em frente ao hospital. No carro estavam um delegado e três policiais de São Paulo. Nesse momento, um dos policiais paulistas teria dito que outros agentes de segurança de SP estariam no estacionamento.

Sabendo dessa informação, dois policiais civis de MG entraram no local indicado. O delegado do GOE foi abordado. O outro agente de MG abordou o empresário conterrâneo e o dono da empresa de segurança, que teria atirado contra ele. Assim, o tiroteio começou.

Na troca de tiros, Rodrigo Fracisco, policial civil de MG, morreu, e o dono da empresa de segurança foi ferido. O empresário mineiro que estava no local tentou fugir, mas foi atingido no pé.

Durante a ação, os empresários paulistas teriam fugido no avião alugado. Não se sabe se eles já estavam com os dólares. A polícia civil de Minas já tem o nome desses empresários.

Depois dos tiros, feridos, um morto e dúvidas

Após o tiroteio, os policiais de SP foram levados para a delegacia, onde fizeram contato com os outros policiais que estavam voltando para a capital paulista. Eles se apresentaram na delegacia.

Momento logo após o tiroteio e prisão dos envolvidos (Foto: Reprodução/Facebook)

Procurada pelo R7, a Polícia Civil de MG informou que não há nenhuma atualização sobre o caso e que a investigação espera os resultados da perícia. Imagens foram colhidas e estão sendo analisadas. A Civil de MG também foi ao hotel e apreendeu os materiais que estavam lá.

A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) também informou que não há atualizações e que as investigações seguirão pela Polícia Civil de Minas Gerais.

O empresário de MG, ferido no pé, foi ouvido. A Polícia Civil de MG descobriu que, em 2009, ele foi preso em Belo Horizonte por envolvimento em um golpe de troca dinheiro verdadeiro por falso.

Consequências

Quatro policiais civis de SP foram autuados em flagrante por lavagem de dinheiro, e outros quatro foram liberados. O segurança paulista, que está internado no hospital, foi autuado pelo homicídio do policial mineiro. O dono do dinheiro falso foi preso por tentativa de estelionato.

Já os policiais mineiros foram autuados por prevaricação — quando um funcionário público exerce sua função indevidamente. Após a ação, foram apreendidos cerca de R$ 15 milhões em notas falsas, celulares, armas, munições e dois veículos.

Fonte: R7

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