Ao lado dos governadores do Piauí e de Minas Gerais, Pezão discursou durante Fórum Nacional sobre Previdência Pública promovido pelo BNDES (Foto: TV Globo)

Governador disse não ser contra direitos adquiridos, mas criticou o fato do estado ter 66% dos inativos com aposentadorias especiais. Ele cobrou melhor diálogo entre Executivo e demais Poderes na urgência da reforma previdenciária.

 

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), afirmou nesta quinta-feira (23) que a folha de pagamentos do estado aumentará em R$ 1,2 bilhão em um ano e meio caso não haja uma reforma previdenciária. Dizendo-se não ser contra direitos adquiridos, ele criticou aposentadorias especiais citando diretamente a situação dos militares.

“Foram dados muitos direitos que a gente vai pagar um preço muito grande. Eu não tenho nada contra direito adquirido, nada. Mas o Rio é um problema sério”, disse Pezão em pronunciamento durante Fórum Nacional sobre Previdência Pública promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ao lado dos governadores petistas do Piauí, Wellington Dias, e de Minas Gerais, Fernando Pimentel, Pezão enfatizou que a maior parte da folha de pagamentos de inativos do estado do Rio de Janeiro é com aposentadorias especiais. “Não é trivial você ter 66% das pessoas se aposentando com menos de 50 anos de idade”, disse.

O governador fluminense criticou diretamente as aposentadorias dos militares, afirmando que para cada 100 coronéis ativos na Polícia Militar, há 600 aposentados. “No Corpo de Bombeiros são 100 [ativos] para 400 [inativos”, destacou.

“Perdemos todo ano 2,2 mil policiais com esse regime que está aí de sair [da ativa para se aposentar] com 40 e poucos anos de idade”, ressaltou Pezão, acrescentando que “se nós não fizermos nada, não mexermos em nada [na Previdência], só no próximo um ano e meio a nossa folha de pagamento aumenta em R$ 1,2 bilhão”.

Pezão lembrou que o Rio de Janeiro tem o agravante em relação aos demais estados por ter incorporado parte do funcionalismo público do extinto Estado da Guanabara. Segundo ele, com a fusão dos dois estados, quando a capital federal foi transferida para Brasília, o Estado do Rio concedeu “todos esses direitos que tinha o funcionário da Guanabara para o funcionário que veio de um pequeno estado. Era um estado pobre o antigo estado do Rio”.

Falta de diálogo

Pezão iniciou o seu discurso durante o fórum promovido pelo BNDES cobrando melhor diálogo entre o Executivo com os demais poderes para que se chegue a um acordo pela reforma previdenciária. Segundo ele, “o Executivo não conseguiu sensibilizar suficientemente os Poderes para a gestão da previdência”.

Afirmando não querer “que meu sucessor passe por isso”, lembrou que quando o Congresso Federal avaliava o Plano de Recuperação Fiscal do Rio de Janeiro, ele não pode contar com apoio dos parlamentares fluminenses. “Dos 46 deputados federais [do Rio de janeiro], 26 votaram contra [o plano de recuperação]. Eu tive que buscar mais 292 votos no Brasil”, disse.

O governador disse também que, por conta do déficit orçamentário provocado pela folha de pagamentos dos servidores, sua atuação no governo se compara mais à de um gestor de recursos humanos.

“Hoje me considero um razoável, para menos, de um gerente de RH. Fico cuidando de 440 mil pessoas quando eu tenho 16 milhões de pessoas que querem mais estrada, querem mais saúde, querem mais educação, querem mais policiamento nas ruas e muito mal o estado hoje tem como pagar os 440 mil funcionários”, disse.

Ao encerrar o discurso, Pezão pediu desculpas pelos atrasos nos salários dos servidores e no pagamento de fornecedores do estado, mas afirmou que o plano de recuperação fiscal permitiu colocar todos os pagamentos em dia.

Carregar Mais Artigos Relacionados
Carregar mais por Redação BCN
Carregar mais por Bcn

Veja Também

Investigação não encontrou evidências de que Trump obstruiu inquérito sobre Rússia, diz Barr

O secretário de Justiça e procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, disse nesta q…