Bruno Buhler foi morto com um tiro no pescoço durante uma operação policial na comunidade da Zona Norte do Rio. Parentes e amigos cobram combate à violência contra policiais.

 

Amigos e parentes do policial civil Bruno Guimarães Buhler – morto durante uma operação na comunidade do Jacaré, Zona Norte do Rio – se reuniram na manhã deste domingo (20) na Praia do Recreio, Zona Oeste do Rio, para prestarem uma homenagem.

Além de relembrar momentos da vida de Bruno, o grupo se mostrou inconformado com a violência no Rio. Faixas foram colocadas na areia e um grupo de surfistas fez uma corrente no mar durante o ato. Surfe era o esporte preferido do policial.

Primo da vítima, Gabriel Gaspar afirmou que o policial era um excelente pai e que o que está acontecendo com no estado é inaceitável.

Protesto teve início na areia e no mar e depois seguiu para a orla do Recreio (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Protesto teve início na areia e no mar e depois seguiu para a orla do Recreio (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

“Hoje nós temos dois objetivos: uma homenagem à vida do meu primo, uma pessoa alegre, ótimo amigo, excelente pai, e a gente quer celebrar a vida dele com os amigos e familiares. Em segundo lugar, queremos levantar uma voz para mostrar que o que está acontecendo no Rio é inaceitável”, disse.

Gabriel destacou o elevado número de policiais mortos este ano no estado do Rio de Janeiro e enfatizou o risco que isso representa para a sociedade.

“Até agora, quase 100 policiais já morreram. As pessoas que estão aí para nos proteger estão morrendo e está virando algo comum”, disse Gaspar.

Um helicóptero da Polícia Civil sobrevoou a área onde o ato era realizado e agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da qual o policial fazia parte, também estiveram presentes.

Os amigos de Bruno vestiram uma camisa grafada com a expressão “#XinguEterno” – Xingu era o apelido pelo qual o policial era chamado. Gabriel disse ainda que pretende se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, para cobrar medidas de redução da criminalidade.

Camisas em homenagem ao policial civil Bruno Buhler foram confeccionadas pelos amigos (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Camisas em homenagem ao policial civil Bruno Buhler foram confeccionadas pelos amigos (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

“A gente entende que reduzir a violência não é só um dever da polícia, que está fazendo o seu papel e pagando com seu sangue, mas também de diversas esferas do governo. Existe um papel importante do legislativo e a gente quer saber dos deputados eleitos pelo Rio o que está sendo feito. Existe um projeto para combater a criminalidade ou não existe? A gente tem que fazer nossas malas e sair daqui?”, disse.

Primo do policial, Gabriel defende que o Legislativo se posicione em relação à crescente violência contra policiais no Rio de Janeiro (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Primo do policial, Gabriel defende que o Legislativo se posicione em relação à crescente violência contra policiais no Rio de Janeiro (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Confrontos no Jacarezinho

Bruno Buhler foi morto no dia 11 de agosto depois de ser baleado na comunidade do Jacarezinho durante uma operação da Core. No dia seguinte ao crime, a polícia iniciou uma série de ações na região com o objetivo de localizar os autores do crime.

Desde então, os moradores da comunidade dizem viver num constante clima de guerra. Muitas famílias estão estocando comida em casa, com medo de sair nas ruas em meio às trocas de tiros.

Ao longo de nove dias de operações policiais constantes, ao menos 14 pessoas foram vítimas dos confrontos, sendo sete mortas e sete feridas.

Moradores do Jacarezinho estão criando 'kit guerra' por medo de sair de casa (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Moradores do Jacarezinho estão criando ‘kit guerra’ por medo de sair de casa (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Fonte: G1

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