Presidente chinês, Xi Jinping, desembarca no aeroporto de Manila, em 20 de novembro de 2018

 

O presidente chinês, Xi Jinping, chegou às Filipinas nesta terça-feira (20) para sua primeira visita de Estado a um país tradicionalmente aliado dos Estados Unidos, mas que se aproximou de Pequim, em um contexto de luta de influências na Ásia entre as duas primeiras economias mundiais.

Pouco depois de sua chegada ao poder, em 2016, o presidente filipino, Rodrigo Duterte, anunciou sua “separação” dos Estados Unidos, alegando que o arquipélago — uma colônia americana até 1946 — havia-se beneficiado pouco desta aliança.

Agora, pretende desenvolver relações com Pequim e obter milhões de dólares em investimentos no país.

Antes da chegada do presidente ao aeroporto de Manila, centenas de manifestantes se reuniram em frente à embaixada chinesa para denunciar a aproximação de ambos os países.

“As Filipinas não se vendem”, gritavam os manifestantes, enquanto alguns levavam cartazes com a frase “China fora das águas filipinas”, em referência às águas em disputa do mar da China Meridional.

Manila espera que esta visita de dois dias, a primeira de um presidente chinês em 13 anos, sirva para concretizar os investimentos em grandes projetos de infraestrutura prometidos durante uma visita do presidente filipino à China, há um ano.

Duterte também se diferenciou de seu predecessor, Benino Aquino, ignorando uma sentença da Corte permanente de arbitragem de Haia que declarava ilegais as reivindicações de Pequim da quase totalidade do mar da China Meridional.

Outros países do Sudeste Asiático – as Filipinas em particular – têm reivindicações neste mar, rico em hidrocarbonetos e pelo qual transitam 4,5 bilhões de euros em mercadorias a cada ano.

AFP / Noel CELIS

Manifestação contra a visita do presidente Xi Jinping, em Manila, em 20 de novembro de 2018
A China prometeu a Manila 24 bilhões de dólares em doações e empréstimos, mas, até o momento, apenas uma ínfima parte desse montante chegou ao arquipélago.

Os opositores de Duterte afirmam que ele foi enganado. Outros denunciam a “armadilha do endividamento”, citando como exemplo a política chinesa de empréstimos nos países em desenvolvimento.

Para o analista filipino Richard Heydarian, as promessas chinesas convenceram Manila “a pisar suavemente no pedal”, em relação ao mar da China.

“Sabemos que houve cálculos geopolíticos”, disse à AFP. “Que interesse tem para eles se apressar, se Duterte lhes dá tudo que querem?”, questionou.

O ministro de Orçamento, Benjamin Diokno, explicou que os atrasos se devem, em parte, ao desconhecimento dos chineses sobre os procedimentos de licitação, mas disse esperar que o processo se acelere.

Os investimentos chineses no arquipélago quase que quintuplicou no primeiro semestre, após um aumento de 67% em 2017, afirmou no mês passado em Manila o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi.

Fonte: AFP

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