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Simone Mazzer canta Cher e leva ABBA para o pagode em libertário show festivo

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No conceito libertário do show apresentado pela cantora paranaense Simone Mazzer com Ant-Art, duo carioca formado pelo guitarrista Arthur Martau e o tecladista Antonio Fischer-Band, é possível até cantar em ritmo de pagode um sucesso do grupo sueco ABBA na era da disco music.

Pois Dancing queen (Benny Anderson, Björn Ulvaeus e Stig Anderson, 1976) caiu bem no samba no toque do cavaquinho de Thiago Sacramento, convidado desse número que sobressaiu na parte final do roteiro do show feito por Mazzer na noite de sábado, 27 de outubro, no Manouche, clube com ar de cabaré que vem se impondo no calendário carioca de shows com programação alternativa idealizada por Alessandra Debs.

“Hoje é dia de festa”, anunciou Mazzer ao pisar no palco do Manouche. Dancing queen cantado como pagodão acentuou o clima de festa e de noite sugerido pelo show Mazzer-Ant-Art, encerrado com Believe (Brian Higgins, Stuart McLennen, Paul Barry, Steven Torch, Matthew Gray e Timothy Powell, 1998), a música que jogou Cher há 20 anos na pista do pop dance.

Simone Mazzer toca bateria eletrônica no show 'Mazzer-Ant-Art' — Foto: Mauro Ferreira / G1

Simone Mazzer toca bateria eletrônica no show ‘Mazzer-Ant-Art’ (Foto: Mauro Ferreira)

Contudo, se houve um conceito que pautou a escolha do repertório, foi a liberdade sem compromisso com a unidade estética de show moldado em tese para a pista, mas efetivamente apresentado com atmosferas e sons distintos. Tanto que o bis inadequado foi feito com registro quase interiorizado de Paralelas (1975), canção de Belchior (1946 – 2017) sobre a automação das emoções urbanas.

Projetada como atriz da Cia. Armazém de Teatro, Simone Mazzer é cantora desde a década de 1990. Mas foi a partir de 2012, com show solo na cidade do Rio de Janeiro (RJ), que Mazzer foi se impondo na cena musical nacional e ganhando público fiel por conta da voz potente que, amplificada pela carga dramática da intérprete, habilita a artista a transitar por repertório eclético, com total liberdade de gênero.

Tanto que Mazzer-Ant-Art já é o quarto dos cinco shows apresentados por Mazzer no circuito carioca neste ano de 2018 (o quinto é tributo ao compositor Nelson Cavaquinho que será feito pela cantora com o grupo Semente em apresentação agendada para 11 de novembro na sala Baden Powell).

Simone Mazzer canta David Bowie e Rita Lee no show 'Mazzer-Ant-Art' — Foto: Mauro Ferreira / G1
Simone Mazzer canta David Bowie e Rita Lee no show ‘Mazzer-Ant-Art’ (Foto: Mauro Ferreira)

Com o duo Ant-Art, Mazzer fez show de formato inédito, mas o repertório em si reciclou músicas de espetáculos anteriores da artista, como o mambo Babalu (Margarita Lecuona, 1939) e o Tango do mal (Luciano Salvador Bahia, 2014), embora o roteiro tenha tido novidades na voz da cantora, como Roxanne (Sting, 1978) – canção do trio inglês The Police que ganhou abordagem climática de intensidade crescente – e Chega mais (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1979), número de ambiência eletrônica que justificou a retirada das mesas para abrir pista na plateia do clube Manouche.

Sucesso na voz de Rita Lee na virada dos anos 1970 para os anos 1980, no auge artístico e comercial da artista, o carnavalesco pop rock Chega mais se ajustou ao sons sintetizados pelo tecladista Antonio Fisher-Band e pela própria Simone Mazzer, que pilotou a bateria eletrônica nesse número que se impôs como um dos pontos mais altos do show.

Simone Mazzer faz 'cover' de Michael Jackson no show 'Mazzer-Ant-Art' — Foto: Mauro Ferreira / G1

Simone Mazzer faz ‘cover’ de Michael Jackson no show ‘Mazzer-Ant-Art’ (Foto: Mauro Ferreira)

Com arranjo dançante que evocou a sintetizada era musical dos anos 1980, a balada pop Careless whisper (George Michael e Andrew Ridgeley, 1984) também entrou no clima desse show festivo que nem sempre mirou as pistas.

Em contrapartida, músicas como Heroes (David Bowie e Brian Eno, 1977) foram postas em cena mais a serviço da excelência do canto da intérprete do que do clima do show.

Em nome dessa liberdade estética, Mazzer transitou pel’As curvas da estrada de Santos (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) fora do trilho do soul e arriscou um Billie Jean (Michael Jackson, 1982) que funcionou no contexto do show sem sair da seara do cover.

Entre reciclagens e novidades, Simone Mazzer segurou a onda sombria com as luzes, as cores e os sons deste festivo show feito com o Ant-Art. (Cotação: * * * 1/2)

Simone Mazzer revive balada de George Michael no show 'Mazzer-Ant-Art' — Foto: Mauro Ferreira / G1
Simone Mazzer revive balada de George Michael no show ‘Mazzer-Ant-Art’ (Foto: Mauro Ferreira)

Fonte: G1

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