Vista aérea de uma manifestação contrária à chegada de migrantes centro-americanos ao México, em 18 de novembro de 2018 em Tijuana

Centenas de pessoas saíram neste domingo às ruas de Tijuana, cidade do noroeste do México na fronteira com os Estados Unidos, em duas manifestações antagônicas: uma a favor e outra contra os milhares de centro-americanos que chegam em uma caravana migrante de Honduras.

Balançando bandeiras do México, cerca de 300 pessoas gritavam “Não à invasão!”, enquanto se reuniam em uma das avenidas mais importantes de Tijuana.

“Eu não duvido que venham famílias, pessoas necessitadas, mas a maioria é de pessoas das maras (gangues) que cometem delitos. A prova está na violência com que entraram no país”, forçando as portas da fronteira com a Guatemala, disse à AFP Esther Monroy, moradora de Tijuana de 58 anos.

Estes manifestantes empreenderam uma marcha rumo ao albergue que o governo local improvisou para os migrantes em um centro esportivo. Atualmente, cerca de 2.500 centro-americanos vivem no local em condições de superlotação.

Após saírem, em 13 de outubro, de San Pedro Sula, em Honduras, mais de 3.500 centro-americanos – em sua maioria hondurenhos – chegaram a Tijuana, sua última escala antes de tentarem cruzar para os Estados Unidos.

Cerca de 3.000 se encontravam ainda a caminho, na altura de Mexicali.

Muito perto da mobilização contra os migrantes em Tijuana, uma dezena de pessoas com cartazes brancos se manifestavam em defesa dos centro-americanos.

“O maior muro é a rejeição”, “Violência cria mais violência”, “Não discrimine”, eram algumas das frases rodeadas de corações mostradas pelo manifestantes, que estavam em menor número que o grupo contrário.

O prefeito conservador de Tijuana, Juan Manuel Gastélum, pediu que os centro-americanos sejam expulsos e propôs uma consulta cidadã sobre o tema.

“Estão há três dias perto de nós e não tivemos nenhum problema, se comportam bem, são famílias com crianças”, disse Karen Domínguez, estudante de 26 anos que diz viver perto de um abrigo para migrantes.

Após acusar a caravana de buscar uma “invasão” contra seu país, o presidente americano, Donald Trump, dispôs o envio de até 9.000 soldados a sua fronteira sul e alertou que só os que cruzarem por um ponto oficial poderão pedir refúgio.

Neste domingo, o presidente voltou a criticar a caravana migrante no Twitter.

“O prefeito de Tijuana, México, acaba de dizer que ‘a cidade está mal preparada para receber todos estes migrantes, a espera poderia ser de 6 meses’. Da mesma forma, os Estados Unidos está mal preparado para esta invasão e não a tolerará”, escreveu Trump.

“Eles estão causando crimes e grandes problemas no México. Vão para casa!”, acrescentou.

Um novo grupo de cerca de 200 migrantes salvadorenhos iniciou, neste domingo, seu caminho para os Estados Unidos, com a esperança de escapar das gangues e da crise econômica, e chegou a Guatemala.

Fonte: AFP

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