Michel Temer discursa na 73a. Assembleia Geral da ONU

O presidente Michel Temer destacou nesta terça-feira a acolhida dada pelo Brasil a dezenas de milhares de imigrantes venezuelanos, em seu último discurso ante a Assembleia Geral da ONU, onde assegurou que deixa um país melhor do que recebeu ao assumir a presidência.

Temer recordou que a América do Sul vive uma onda migratrória de grandes proporções e que “mais de um milhão de venezuelanos “deixaram seu país em busca de condições dignas de vida”.

“O Brasil tem recebido todos os que chegam a nosso território. São dezenas de milhares de venezuelanos a quem procuramos dar toda a assistência. Com a colaboração do Alto Comissariado para Refugiados, construímos abrigos para ampará-los da melhor maneira. Temos promovido sua interiorização para outras regiões do Brasil. Emitimos documentos que os habilitam a trabalhar no país. Oferecemos escola para as crianças, vacinação e serviços de saúde para todos”, relacionou.

A imigração venezuelana gerou tensões na fronteira entre os dois países e Caracas denunciou a xenofobia em relação a seus cidadãos no Brasil. Apenas no estado de Roraima se encontram cerca de 30.000 venezuelanos.

Segundo a ONU, 1,6 milhão de venezuelanos imigraram desde 2015 em função do colapso econômico do país e da falta de comida e medicamentos.

“Sabemos que a solução para a crise apenas virá quando a Venezuela reencontrar o caminho do desenvolvimento”, declarou Temer, expressando-se também orgulhoso da tradição de acolhimento de seu país.

“Temos orgulho de nossa tradição de acolhimento. Somos um povo forjado na diversidade. Há um pedaço do mundo em cada brasileiro. Fiéis a essa tradição, instituímos, no ano passado, a nova Lei de Migração – uma legislação moderna, que não apenas protege a dignidade do imigrante, mas reconhece os benefícios da imigração. Ampliamos direitos e desburocratizamos exigências para ingresso e permanência no Brasil”.

Mesmo assim, ocorrem atos de violência. Neste mês, um brasileiro foi assassinado por um venezuelano, que em seguida foi linchado pela população.

Venezuela e Brasil mantêm relações tensas desde que Temer assumiu o poder em 2016, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, o define como “golpista” enquanto Temer não reconhece a reeleição do colega venezuelano em questionadas eleições em maio passado.

Temer, que deixará o governo em 1º de janeiro próximo, assegurou, da mesma forma, que entregará um país melhor do que recebeu ao candidato que o povo brasileiro escolher.

“Transmitirei a meu sucessor as funções presidenciais com a tranquilidade do dever cumprido. Hoje, no Brasil, podemos olhar para trás e verificar o quanto fizemos em pouco tempo de governo. Dissemos não ao populismo e vencemos a pior recessão de nossa História – recessão com severas consequências para a sociedade, sobretudo para os mais pobres. Recolocamos as contas públicas em trajetória responsável e restauramos a credibilidade da economia. Voltamos a crescer e a gerar empregos. Programas sociais antes ameaçados pelo descontrole dos gastos puderam ser salvos e ampliados. Devolvemos o Brasil ao trilho do desenvolvimento. O país que entregarei a quem o povo brasileiro venha a eleger é melhor do que aquele que recebi”, afirmou.

“Muito ainda resta por fazer, mas voltamos a ter rumo. Agora, é ir adiante. O próximo governo e o próximo Congresso Nacional encontrarão bases consistentes sobre as quais poderão seguir construindo um Brasil mais próspero e mais justo”, concluiu.

Fonte: AFP

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