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Tempo demais no tablet ou celular prejudica cognição das crianças

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O sono é fator importante durante o desenvolvimento de crianças e adolescentes (iStock/Getty Images)

Um novo estudo recomenda que o uso de dispositivos eletrônicos por crianças de 5 a 13 anos seja limitado a 2 horas por dia

 

A ciência acaba de dar mais um bom motivo para limitar o tempo que as crianças passam em frente às telas. De acordo com um estudo publicado recentemente no periódico científico The Lancet Child & Adolescent Health, usar dispositivos eletrônicos — incluindo celulares, tablets e computadores — por mais de duas horas diárias prejudica o desenvolvimento cognitivo dos pequenos.

O motivo? “Cada minuto gasto em frente às telas equivale a um minuto a menos de sono ou de atividades cognitivamente desafiadoras”, escreveu Eduardo Esteban Bustamante, pesquisador da Universidade de Ilinois, nos Estados Unidos, em um editorial que acompanhou o estudo.

Para reduzir os riscos, os pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil de Eastern Ontario, no Canadá, recomendam que os pais e responsáveis limitem a, no máximo, duas horas por dia o tempo que ocioso que crianças com idade de 5 a 13 anos usam esses dispositivos.

Para chegar a essa conclusão, o estudo avaliou os hábitos de cerca de 4.500 crianças americanas, com idade entre 8 e 11 anos. Os resultados mostraram que a minoria das crianças cumpria todas as diretrizes recomendadas para a infância, como dormir de nove a onze horas por noite, praticar pelo menos sessenta minutos de atividade física por dia e usar dispositivos eletrônicos por no máximo duas horas por dia.

Apenas 37% das crianças entrevistadas respeitavam o limite estabelecido para o uso de dispositivos eletrônicos. Em geral, as crianças gastavam 3,6 horas diárias em frente às telas. Por outro lado, apenas 51% dormiam a quantidade de horas recomendada e somente 18% praticavam pelo menos uma hora por dia de atividade física. Ainda mais grave: entre as crianças investigadas, só 5% seguiam todas as recomendações e 30% não cumpriam nenhuma.

As crianças também foram submetidas a testes cognitivos, que avaliaram a função executiva (habilidades mentais controladas pelo lobo frontal do cérebro que ajudam as pessoas a executar tarefas de forma planejada), atenção, memória temporária, memória episódica e velocidade de linguagem e processamento.

“Sabemos que, separadamente, comportamentos de sono, atividade física e tempo de tela podem impactar a saúde cognitiva de uma criança. No entanto, esses comportamentos nunca são considerados em conjunto. Nós tivemos a oportunidade de ver como o cumprimento de cada uma dessas diretrizes se relaciona com a cognição”, comentou Jeremy Walsh, principal autor do estudo, à CNN.

Tempo de tela
Aquelas que seguiram as principais diretrizes mostraram melhor cognição, incluindo memória, atenção, velocidade de processamento e linguagem. De acordo com a equipe, algumas diretrizes podem ter maior impacto na cognição.

Por exemplo, crianças que praticavam a quantidade recomendada de atividade física, mas que não dormiam o suficiente e/ou ficavam mais do que o indicado em frente às telas, não apresentaram melhor cognição. É possível que, mesmo que uma criança esteja se exercitando, os outros dois comportamentos possam anular o benefício derivado do exercício.

Já as crianças que cumpriam à risca o tempo de tela apresentaram melhor desempenho no teste cognitivo, independentemente das horas de sono e da prática de atividade física.

Segundo especialistas, a compreensão dos efeitos do uso excessivo de mídias digitais no cérebro em desenvolvimento ainda está no início, mas há evidências de que o comportamento pode causar déficit de atenção e hiperatividade. “Esta nova pesquisa se soma às evidências existentes e apoia as preocupações com o tempo de tela e potenciais ligações negativas com o desenvolvimento cognitivo em crianças”, disse Kirsten Corder, da Universidade de Cambridge, em nota.

Qualidade de sono
Um estudo anterior, publicado na JAMA Pediatrics, mostrou que o sono é fator importante durante o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Segundo a pesquisa, menos horas de sono podem afetar o humor e aumentam os riscos de comportamentos perigosos, incluindo automutilação em jovens.

“Acho que minha mensagem para os pais é que (o sono) é uma prioridade e fará uma enorme diferença na vida, no desempenho, no humor e no comportamento de seus filhos. Minha experiência, minha impressão, é que é algo que ainda precisamos priorizar como pais, assim como o que fazemos com outras coisas que sabemos que são insalubres para as crianças”, comentou Reut Gruber, do Instituto Universitário Douglas para Saúde Mental, no Canadá, àCNN.

Dia ideal
Para que o dia de uma criança seja considerado produtivo (no desenvolvimento físico e cerebral) existem algumas recomendações importantes a serem seguidas. Dos 5 aos 13 anos de idade, elas devem desfrutar de nove a onze horas de sono ininterrupto por noite, praticar no mínimo uma hora de exercício moderado (jogar futebol, andar de bicicleta, brincar de pega-pega, etc) por dia e usar dispositivos eletrônicos com fins recreativos — smartphone, tablet, video game e televisão — por no máximo duas horas diárias.

“Acredito que o objetivo principal aqui é que os pais considerem as 24 horas dos filhos e estabeleçam regras e limites realistas, restringindo o tempo de tela, estabelecendo regras para o horário de dormir e incentivando a atividade física”, alertou Walsh.

Brasil
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) aconselha os pais a manterem crianças menores de 2 anos longe dos aparelhos digitais. Já as de 2 a 5 anos podem utilizá-los por no máximo quarenta minutos, diante da supervisão dos pais. Acima dos 5 anos, não existe limite específico, mas a entidade recomenda que o uso das mídias digitais com finalidade recreativa tenha horário restrito.

A Academia Americana de Pediatria (APA) sugere também que os pais conversem com as crianças e procurem saber o que eles têm feito e com quem têm se relacionado; além de criar zonas livres de tecnologia e encorajar o tempo de recreação física.

Fonte: Veja

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