Acusados são pai e filho e foram presos por enganar moradores de Taguatinga, Ceilândia, Sobradinho e Planaltina na hora de cobrar por serviços de manutenção

 

 

Um idoso de 89 anos caiu em um golpe de estelionatários e teve todo o dinheiro da aposentadoria do INSS retirado da conta. Há menos de dois meses, o morador de Taguatinga estava em casa quando recebeu a visita de um pai e um filho que ofereciam serviços de troca de portão, substituição de interfones e instalação de câmeras. O conserto do interfone ficaria em R$ 190 e poderia ser dividido em 10 vezes. A vítima concordou, mas, ao efetuar o pagamento, teve R$ 2,3 mil debitados da conta. A família só percebeu horas depois. Assim como ele, a Polícia Civil identificou outras 13 vítimas da dupla.

Alexandre Dias Arão, 42 anos, e Marcelo Vendramel Arão, 20, agiam nas regiões de Taguatinga, Ceilândia, Sobradinho e Planaltina. Eles abordavam idosos e ofereciam os serviços. Mas, segundo a polícia, na hora do pagamento, a dupla enganava as vítimas e digitava valores acima do acordado nas máquinas. “Eles geralmente escolhiam as pessoas com dificuldade de leitura, que enxergavam pouco, e combinavam um preço bem abaixo do mercado. Na hora de pagar, esses idosos eram distraídos e, no momento de colocar a senha, não percebiam o valor digitado”, explicou Darbas Coutinho, delegado da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) responsável pela investigação.

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Após quatro meses de monitoramento da dupla, pai e filho foram presos preventivamente em casa, na quarta-feira, em um condomínio em Vicente Pires. A investigação demonstrou que, após o pagamento do serviço, eles deixavam o material na casa das vítimas e informavam que um técnico faria a instalação no dia seguinte, mas nunca retornavam. “Eles de fato ofereciam esse tipo de serviço, mas, no caso de idosos, se aproveitavam. Algumas vítimas ou familiares percebiam horas depois, mas, em outros casos, só se davam conta do golpe em um ou dois dias”, contou Darbas.

Policiais apreenderam o carro que pai e filho utilizavam para abordar as vítimas, um Fiat Doblô. Segundo o delegado, uma das dificuldades na investigação foi o fato de que as vítimas não assumiam que caíram em um golpe. “A maioria não aceita e outros demoravam para ter essa consciência. Muitas das vezes os filhos que contavam como tudo aconteceu, porque eles não admitiram. Outros, porém, reconheciam”, explicou.

O delegado também esclareceu que a dupla não tinha ponto fixo, o que atrapalhou o início da investigação. Pai e filho vão responder por estelionato contra idosos, cuja pena pode variar de 2 a 10 anos, maior que um estelionato comum, que prevê prisão de 1 a 5 anos.

Desonestidade
A filha do idoso, que pediu para não ser identificado, desabafou ao ter conhecimento da prisão da dupla. “É um sentimento de impotência ao saber que seu pai foi rendido dentro de casa. É desumano, desonesto. Deveria ter uma punição mais severa. Qual a proteção que meu pai tem a partir de agora?”, perguntou a aposentada de 63 anos, que também não quis ter o nome divulgado.

Os criminosos fizeram uma compra pela internet no valor de R$ 2,3 mil com os dados do cartão da vítima. O idoso só se deu conta do golpe quando pai e filho saíram da residência dele sem deixar a cópia do contrato. Segundo a filha, eles mexeram no interfone, mas, horas depois, o aparelho voltou a não funcionar. “Eles saíram da casa e o interfone já não prestava. Foi uma ação desonesta”, lamentou a filha.

Gláucia Cristina da Silva, delegada-chefe da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência, destacou a necessidade de as pessoas idosas serem cuidadas pela família. “Essa esperteza e a malícia o idoso vai perdendo com o tempo. Por isso, é importante alguém estar sempre de olho, cuidando, e, se for o caso, denunciar”, destacou.

Fonte: Correio Braziliense

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