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Vitória de Doria evita o pior nas eleições para o PSDB, que terá troca de guarda

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O governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB)

Podia ser pior. Se perdesse o governo de São Paulo, o PSDB sairia menor ainda do que entrou nesta campanha eleitoral de 2018. João Doria ganhou a eleição mais disputada neste segundo turno. Mas sua vitória vai marcar uma troca de guarda no ninho tucano. Devem perder hegemonia os líderes mais tradicionais, como Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves.

O novo governador paulista tem tudo para liderar o que ele já chama de refundação do PSDB. Contará com o também novo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, jovem de 33 anos e com potencial para ser uma nova liderança do partido no médio prazo.

A partir de agora, João Doria tentará construir algo que não conseguiu nesta eleição: ser o candidato a presidente do PSDB em 2022.

Antes, porém, terá pela frente a missão de, realmente, reestruturar o partido. Os tucanos governavam cinco estados – agora, serão três. Terá menos deputados e senadores em Brasília.

E perdeu, principalmente, uma parcela significativa do eleitorado nacional, que migrou para Jair Bolsonaro (PSL) e aplicou uma derrota ao PSDB na disputa da Presidência da República.

Pela primeira vez, desde 1994, o PSDB não esteve no segundo turno de uma eleição presidencial ou venceu logo no primeiro turno, como aconteceu com Fernando Henrique Cardoso duas vezes.

Ou seja, não basta a João Doria se transformar na principal liderança dos tucanos. Ele terá de reorganizar um partido totalmente dividido e que perdeu a simpatia e apoio dos eleitores.

O recado que veio das urnas é que o PSDB deixou de ser um partido de referência nacional. Seu principal adversário, até então, conseguiu evitar o mesmo caminho. O PT, mesmo vivendo sua pior crise, com o ex-presidente Lula preso e o partido envolvido na Lava Jato, chegou ao segundo turno da eleição presidencial, elegeu quatro governadores e a maior bancada de deputados federais.

Já o PSDB não só diminuiu de tamanho, mas também está rachado. Logo após o primeiro turno, João Doria foi acusado por Geraldo Alckmin de traidor por estimular o voto casado nele, em São Paulo, e Jair Bolsonaro, no plano nacional.

Em seu discurso de vitória, o novo governador paulista fez questão de agradecer a Alckmin, que no domingo da vitória de sua criatura não ligou para parabenizá-lo.

Aos que imaginavam que Doria poderia deixar o partido, ele disse neste domingo (28) que vai continuar no PSDB e que não é um filiado de ocasião. Fez questão de dizer ainda que, a partir de agora, o partido passará a ser mais assertivo e vai deixar de ficar sempre em cima do “muro”. Já foi assim na sua campanha, quando decidiu, contrariando a cúpula nacional, apoiar Jair Bolsonaro.

O novo governador paulista já deixou claro que governará São Paulo em sintonia com Bolsonaro na Presidência da República. De olho na constatação de que o eleitorado tucano, no plano nacional, migrou para o novo presidente da República.

Para tentar reconquistá-lo, Doria avalia que o melhor caminho é se aliar àquele que foi um dos algozes do PSDB nesta eleição.

Enfim, o PSDB chegou a correr o risco de perder o comando de São Paulo, estado que governa há 23 anos. Ganhou e manteve sob seu controle um território fundamental para sonhar em voltar a comandar o país daqui a quatro anos. Mas quem evitou o pior não tem nada a ver com o PSDB tradicional.

Traduzindo, o partido que sobreviveu em 2018 pode ser outro totalmente diferente em 2022. A conferir.

Fonte: G1

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